Texto 1 da série Tendências Outono Inverno 22 - Macro

Conheça as macrotendências que vão nortear as coleções da temporada de moda Outono Inverno 2022.

Texto 1 da série Tendências Outono Inverno 22 - Macro
Crédito:baona/iStock


Para esta temporada Outono Inverno 2021, no ano passado as tendências de comportamento apontavam o desejo de liberdade e conforto e, ao mesmo tempo, uma visão mais realista de que as mudanças na vida de cada um de nós não eram mais soluções temporárias, mas sim uma retomada da vida profissional, pessoal e social de caráter mais permanente.

Estas tendências se materializaram em coleções feitas para viver momentos de emoções tão diferentes quanto a extroversão e a alegoria da fantasia, bem como a intimidade e a reflexão da reclusão.

Até porque a aceitação da permanência de mudanças tão difíceis em nossas vidas, de certa forma, tem representado uma pausa no stress de tanta descontinuidade.

Mas quais são as tendências de comportamento para a estação Outono Inverno do próximo ano? E como será que o reflexo destas tendências pode se materializar nos temas, cores, estampas, tecidos e estilos das coleções?

Partindo da previsão do cenário socioeconômico, que estaremos vivendo na próxima temporada Outono Inverno 2022, podemos estimar a tendência de comportamento das pessoas que vai refletir seus desejos de consumo, para só então começar o trabalho de visualizar as criações que podem atender a estes desejos.

Então, mãos à obra!

WGSN 2022

O trabalho da WGSN destaca quatro tendências de comportamento e três perfis de consumo para o ano de 2022, que devem ser considerados em todas as estações.

Em outras palavras, antes de projetar as tendências para o Outono Inverno 2022, precisamos conhecer as macro tendências de sentimentos que são a base do comportamento das pessoas para o próximo ano.

Medo Fear

O medo é o sentimento com maior tempo de permanência desde o início deste cataclismo mundial que está sendo a pandemia do Covid 19. Mesmo assim, precisamos analisar suas nuances do início até agora, para projetar o que podemos esperar para o próximo ano.

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O medo ainda está muito presente na vida das pessoas e influencia o comportamento e os hábitos de consumo (Crédito:MarioGuti/iStock)

Daqui para frente, o medo na cabeça das pessoas não é só mais um sentimento de perigo iminente, com emoções exacerbadas, como era no começo da pandemia até este momento, com a vacinação de um número cada vez maior de pessoas.

A partir deste ponto, aos poucos o medo vai estar cada vez mais diretamente relacionado também a outras questões de fundo, de importância crucial para nossas vidas, principalmente estas três:

  • as sequelas deixadas em cada um de nós pelo longo período de permanência do desgaste emocional e físico causado pelo estresse do perigo de morte;
  • as consequências sociais e familiares das mortes e das sequelas da doença nos que sobreviveram a ela;
  • mas principalmente, a instabilidade econômica daqui a um ano, cujo longo tempo permanência já será uma realidade em curso.

Sociedade dessincronizada Desynchronised Society

Nossas vidas mudaram de ponta a cabeça por causa desta pandemia. As mudanças não foram uma escolha, mas uma imposição que custou a cada um de nós muito esforço e sacrifícios.

Mais. O tempo de permanência destas mudanças já será uma realidade em curso maior ainda no ano que vem, só que até lá, podemos supor que já estaremos também convivendo com o arrefecimento desta pandemia e de suas imposições.

Este é o cenário que vai dar forma ao fenômeno da "sociedade dessincronizada".

Parte das pessoas vai defender o desejo de uma "volta à normalidade das rotinas pré-pandêmicas", com o dia a dia previsível e horários pré-determinados para tarefas e funções.

O uso da máscara ainda é obrigatório e o distanciamento ainda é necessário mas a grande maioria da população já voltou às suas rotinas (Crédito:araelf/iStock)

Outra parte das pessoas vai defender a continuidade deste novo estilo de vida mais dinâmico, com espaços profissionais e da vida privada mais flexíveis e maior autonomia para determinar suas pautas em função dos resultados do seu trabalho.

Na série de posts Moda & Crises aqui no blogModacad, podemos constatar este mesmo fenômeno em outros momentos críticos da história recente da humanidade, como por exemplo, o pós I Guerra Mundial, na terceira década do sec XX.

E também na primeira década do sec XX, antes da I Guerra, quando profundas mudanças sociais também se impuseram em um curto período de tempo, por causa do desalento profissional causado pela mecanização do trabalho ao longo do sec XIX.

Podemos aprender com a História inclusive qual destes dois comportamentos vai prevalecer com o passar do tempo. Mas isso é assunto da série de artigos "Moda & Crises".

Por aqui, o importante é ter em mente as consequências que o fenômeno "sociedade dessincronizada" pode causar no nosso público consumidor.

Uma das consequências mais polêmicas na minha opinião, é a de que parte das pessoas pode ter dificuldade de retomar os contatos físicos após este período de virtualização das conexões pessoais e profissionais.

Como podemos interpretar um fato como este no desenvolvimento de produtos de consumo? Quais os desejos destas pessoas podemos atender na criação das coleções de todos os produtos moda?

Que outras consequências e comportamentos esta tendência pode indicar?

Resiliência Equitativa Equitable Resilience

A resiliência equitativa fala da "positividade tóxica" nascida do quanto precisamos ser fortes e resilientes para permanecer enfrentando tudo isso, incluindo o período até o ano que vem.  

Num crescente, as pessoas se sentem pressionadas a estarem superando tudo da melhor forma possível, a se mostrarem fortes e serenas e com isso, a não se permitirem viver os cíclicos altos e baixos da vida e do nosso humor emocional.

Ser positivo a qualquer custo leva as pessoas a ignorar os problemas e apresentar uma vida "perfeita" para a sociedade (Crédito:GMVozd/iStock)

Esta positividade tóxica é ainda mais potencializada pelas redes sociais, onde os usuários expõem momentos que fazem toda a sua vida parecer incrivelmente perfeita.

Essas vidas idealizadas nas redes provocam o triste sentimento de isolamento em cada um de nós, porque individualmente, nossa percepção de que tudo está tão difícil é inevitável.

De novo precisamos nos fazer as mesmas perguntas. Como podemos interpretar um sentimento como este no desenvolvimento de produtos de consumo? Quais os comportamentos destas pessoas podemos contemplar na criação das coleções de todos os produtos moda?

Otimismo radical Radical Optimism

O otimismo radical é mais que um sentimento, é quase uma provocação!

Partindo da premissa de que quem já enfrentou tantas incertezas e perdeu tantas conquistas teria muito pouco a perder, as pessoas estariam bem mais inclinadas a ousar questionar o sistema e a se rebelar contra a ordem instituída.

É desafiador ser otimista em tempos de crise (Crédito:FG Trade/iStock)

Quais são os sonhos do idealismo deste otimismo radical? Quais os modelos de negócios e estilos de consumo o otimismo radical pode produzir?

Será que a criação de moda pode personificar a diversidade destes modelos de negócios e estilos de consumo do otimismo radical?

WGSN Perfis de Consumidores

Os Estabilizadores The Stabilisers

São os consumidores que vão priorizar a estabilidade quando confrontados com o sentimento de medo crônico ou com a polêmica da dessincronização social.

"Eles querem experiências de varejo simplificadas, comércio calmo e um relacionamento reconfortante com as marcas." WGSN
A busca pela segurança é o que pauta o consumo dos estabilizadores (Crédito:FG Trade/iStock)

Quais são os desejos dos estabilizadores? O que uma coleção precisa oferecer para identificar seus modelos com estes desejos?

Os Colonizadores The Settlers

Eles estão extremamente desestabilizados sem uma nova definição das cadeias de comando do trabalho de produção de bens de consumo no mundo.

Este sentimento se materializa na tendência de "localismo" da nova era do trabalho produtivo, porque os colonizadores procuram plantar raízes em sua comunidade, ao mesmo tempo que desejam mais liberdade para não se fixar em suas carreiras profissionais.

A necessidade do distanciamento social levou as pessoas a se adaptar a novas formas de trabalho com mais flexibilidade (Crédito:twinsterphoto/iStock)

Um passo além de pautar seu trabalho em função dos resultados, os colonizadores querem escolher também a atividade produtiva que interessar considerando o momento de sua vida e as condições de trabalho.

Quais são os desejos dos colonizadores? O que uma coleção precisa oferecer para identificar seus modelos com estes desejos?

Os Novos Otimistas The New Optimists

São pessoas que têm muita esperança, que acreditam que tudo já está melhorando e que o mundo vai sair bem melhor desta crise, mesmo quando confrontados com os níveis crescentes de medo e ansiedade de todas as pessoas ao seu redor.

Os novos otimistas acreditam que ainda há esperança e que vale a pena acreditar em tempos melhores (Crédito:LordHenriVoton/iStock)

Os "novos otimistas" abraçam a alegria e a esperança em uma atitude no mínimo inesperada, uma vez que não sabemos o que nos espera.

Quais são os desejos destes novos otimistas? O que uma coleção precisa oferecer para identificar seus modelos com estes desejos?

Vicunha 2022

A Vicunha identifica seis tendências de comportamento para o ano de 2022. Vamos às interpretações que a Modacad faz destas tendências.

Economia Afetiva

A Economia Afetiva fala do desejo das pessoas de se conectar de forma mais realista e verdadeira com o mundo ao seu redor. Do compromisso de viver de forma coerente com tudo o que desejam para a evolução do mundo.

A tendência da economia afetiva fortalece o DYI e o Slow Fashion (Crédito:Valeriy_G/iStock)

Esta também é a conexão que desejam estabelecer com as marcas. Vão preferir marcas que tenham uma cultura que valorize sua tradição, conectadas a ideias e valores coerentes com um mundo melhor. Marcas que tenham como base de suas escolhas daqui para frente, o conhecimento da trajetória da moda.

"... buscam por experiências que lhes proporcionem criar memórias afetivas, o que criou a demanda por um design que "abrace" o consumidor, que desperte emoções." Vicunha

Resgate de ícones históricos

"... as estratégias de hoje revelam a tendência de associação a tempos nostálgicos, em que a moda era mais genuína, artística e menos fast fashion." Vicunha

Segundo a Vicunha, grandes marcas como Moschino e Dior já trouxeram para seus desfiles nas últimas fashion weeks a narrativa de sua história e tradições.

Diversas grifes têm lançado releituras de modelos icônicos de suas antigas coleções. Modelos da Moschino e Balenciaga na exposição Powew Mode : The Force of Fashion no The Museum at FIT (Crédito:Power Mode: The Force of Fashion Photograph by Eileen Costa /The Museum at FIT)

A principal interpretação deste fenômeno é a aposta em um futuro do consumo menos ligado à tendências pré identificadas, com uma criação de moda mais autoral, ligada à competência que cada marca construiu ao longo da sua história.

Biotipo diverso e inclusivo

Antes de pensar a inclusão de corpos gordos, pretos e periféricos especificamente na criação e produção de moda, precisamos entender que esta realidade é uma mudança de mentalidade da sociedade, em todas as áreas.

A elitização da moda contemplando biotipos muito restritos pratica a exclusão.

Ainda que de forma tímida a moda vem contemplando corpos mais diversos (Crédito:Lorado/iStock)

Mas nós da Modacad acreditamos também que, para além da grande importância das novas práticas de inclusão social, esta é uma tendência que abre novos mercados consumidores quase inexplorados, com a promessa de muita rentabilidade para as empresas.

Estilo híbrido

Fala da efervescência das novas práticas sociais e profissionais criadas pela mistura dos relacionamentos via presencial e online.

Esta realidade cria dois "subtemas"

  1. Workleisure

Representando a mistura de trabalho work com lazer leisure.

O estilo Workleisure contempla modelos que podem ser usados para lazer ou trabalho (Crédito:Milan Markovic/iStock)
"... unindo esses dois mundos em roupas confortáveis com tecidos de alta qualidade, modelagem tradicionais revisitadas e mais soltinhas. Aqui entram os artigos elastizados e com toque suave como a malha e o denim moletom, jeanswear atemporal e itens fáceis de usar e combinar." Vicunha

2. Athflow

Representando a mistura de atlético ath com fluido flow.

O estilo Athflow mistura o conforto com elegância (Crédito:CoffeeAndMilk/iStock)
"... busca inspiração nas mudanças de comportamento de 2020 onde entram a elegância juntamente com o conforto, alto power, bem-estar e sofisticação." Vicunha

Future Nostalgia

Fala de tendências de um estilo com um olho no passado e outro no futuro.

Forte quando pensamos em jeans, esta tendência mistura o resgate dos anos 90, dos millennials e dos anos 2000 da geração Z identificada com jogos, programas e tecnologia, com o desejo de comemorar o futuro, materializado em modelos com brilhos e detalhes futuristas, criados por um estilo escapista.

Feel Good

Fala de um otimismo também escapista destes tempos sombrios.

As cores influenciam os sentimentos e sensações e ajudam a manter o otimismo nesses momentos de incerteza (Crédito:Davidovici/iStock)

Esta tendência se materializa cores lúdicas e imagens divertidas, com um estilo kitch, cuja marca é o bom humor.

Esta tendência foi contemplada pela Vicunha com a linha denim colour!

Casa Firjan 2022

A Casa Firjan é um ambiente de inovação, educação, criatividade e tendências da FIRJAN Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.

O resultado dos trabalhos de identificação de comportamentos e perfis de consumidores é editado e publicado no Lab de Tendências Casa Firjan - Gerência Geral de Desenvolvimento e Inovação Empresarial 2021 2022

Segue abaixo um pequeno resumo destas tendências. Para pesquisas mais profundas, é só clicar no link!

Tecnoceno  

"Que mundos queremos experimentar?"

A modernidade e a tecnologia permanecem tendências para a próxima temporada (Crédito:mediaphotos/iStock)

A necessidade das pessoas de trabalhar e se relacionar através da tecnologia pode ser também uma forma de escape do contato físico?

Essa tendência conversa com o isolamento social, a hiperdigitalização e a descentralização.

Equilíbrio

"Como podemos cuidar do mundo e das pessoas?"

O que é a economia do bem estar?

Essa tendência conversa com a desaceleração, a transição e o localismo.

Imagimundo  

"Como podemos inventar outros mundos?"

Qual a relação entre a incerteza e a urgência de criar algo novo?

A criatividade é um dos principais pontos da tendência Imagimundo (Crédito:Vizerskaya/iStock)

Essa tendência conversa com a instabilidade, o  presentismo e a inventividade.

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Não perca os próximos textos da série "Texto 2 da série Tendências Outono Inverno 22 - Cores e Estampas" e "Texto 3 da série Tendências Outono Inverno 22 - Tecidos e Modelos".

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